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O poderoso simbolismo de Blackstar, por David Bowie

O poderoso simbolismo de Blackstar, de David Bowie

Descubra o poderoso simbolismo do videoclipe de Blackstar, de David Bowie, e como ele reflete a sua vida, arte e morte.
Leia nesse artigo

David Bowie foi um dos artistas mais inovadores e influentes da história da música, que explorou diversos gêneros, estilos e identidades ao longo de sua carreira. Em seu último álbum, Blackstar, lançado dois dias antes de sua morte em 2016, Bowie apresentou uma obra-prima musical e visual que refletia sobre sua vida, sua arte e sua mortalidade.

O videoclipe de Blackstar, a faixa-título do álbum, é uma peça de arte surrealista e simbólica que contém muitas referências e mensagens ocultas. Neste artigo, vamos analisar alguns dos principais símbolos e significados do videoclipe de Blackstar, de David Bowie.

Uma breve biografia de Bowie e sua relevância na cultura popular

David Robert Jones nasceu em Londres, em 1947, e adotou o nome artístico de David Bowie em 1966, para evitar confusão com o cantor Davy Jones, dos Monkees. Bowie começou sua carreira musical no final dos anos 60, influenciado pelo rock, pelo folk e pelo blues, mas logo se destacou por sua capacidade de se reinventar e de experimentar novos sons e imagens.

Bowie criou vários personagens e alter egos, como Ziggy Stardust, Aladdin Sane, Thin White Duke e Halloween Jack, que expressavam diferentes facetas de sua personalidade e de sua visão artística. Bowie também se envolveu com outras formas de arte, como o cinema, o teatro, a pintura e a literatura, e colaborou com outros artistas, como Iggy Pop, Lou Reed, Brian Eno, Queen e Mick Jagger.

O artista foi um pioneiro do glam rock, do art rock, do pop eletrônico e do rock experimental, e influenciou diversas gerações de músicos, de diferentes estilos e gêneros. Bowie também foi um ícone da cultura pop, que abordou temas como a sexualidade, a androginia, a alienação, a espiritualidade e a morte, com ousadia e originalidade.

David Bowie morreu em 10 de janeiro de 2016, aos 69 anos, vítima de um câncer no fígado, que ele manteve em segredo até o fim. Ele deixou um legado de mais de 25 álbuns de estúdio, centenas de canções, dezenas de filmes e inúmeros fãs pelo mundo.

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O contexto e a importância do álbum “Blackstar”

Blackstar foi o 25º e último álbum de estúdio de Bowie, lançado em 8 de janeiro de 2016, no dia do seu aniversário de 69 anos. O álbum foi gravado em segredo, entre janeiro e novembro de 2015, em Nova York, com a colaboração de uma banda de jazz liderada pelo saxofonista Donny McCaslin. O álbum foi produzido por Bowie e Tony Visconti, seu parceiro de longa data.

Blackstar foi aclamado pela crítica e pelo público, sendo considerado um dos melhores trabalhos de Bowie, e um dos melhores álbuns de 2016. O álbum recebeu vários prêmios, como o Grammy de Melhor Álbum de Rock, e o Brit Award de Melhor Álbum Britânico do Ano. Blackstar também foi um sucesso comercial, alcançando o primeiro lugar nas paradas de vários países, e vendendo mais de dois milhões de cópias.

O album foi concebido como um presente de despedida de Bowie para os seus fãs, e como uma forma de lidar com a sua própria mortalidade. Blackstar é repleto de referências à sua carreira, à sua vida e à sua morte, e apresenta um estilo musical sombrio, experimental e inovador, que mistura elementos de jazz, rock, eletrônica e hip hop.

A obra é composta por sete faixas, que variam de quatro a dez minutos de duração, e que exploram temas como o espaço, a religião, o amor, a violência, a fama e o legado. As faixas são:

  • Blackstar: a faixa-título e a mais longa do álbum, com quase dez minutos de duração, divididos em duas partes distintas. A primeira parte é uma introdução lenta e atmosférica, que evoca um clima de mistério e de ritual. A segunda parte é uma mudança de ritmo e de tom, que se torna mais animada e otimista, com um refrão que diz “I’m a blackstar, I’m not a filmstar, I’m not a popstar, I’m not a wandering star, I’m a blackstar”. A letra da música é enigmática e cheia de referências ao espaço, à religião, à fama e à morte. A música também contém um trecho em que Bowie canta em um dialeto inventado, que lembra o idioma nadsat, usado no livro e no filme Laranja Mecânica, uma de suas influências. O videoclipe da música é uma obra de arte surrealista e simbólica, que será analisada com mais detalhes a seguir.
  • ‘Tis a Pity She Was a Whore: a segunda faixa do álbum, com pouco mais de quatro minutos de duração, é uma música de rock agitada e caótica, que contrasta com a faixa anterior. O título da música é uma referência à peça de teatro homônima do dramaturgo inglês John Ford, escrita no século XVII, que conta a história de um incesto entre dois irmãos. A letra da música é ambígua e sugere uma relação sexual violenta e trágica entre Bowie e uma mulher, que pode ser uma prostituta, uma espiã ou uma personificação da morte. A música expressa a angústia e a raiva de Bowie diante do amor e da morte.
  • Lazarus: a terceira faixa do álbum, com pouco mais de seis minutos de duração, é uma música de rock melancólica e emocionante, que se tornou um dos maiores sucessos de Bowie. O título da música é uma referência ao personagem bíblico Lázaro, que foi ressuscitado por Jesus após quatro dias de sua morte. A letra da música é uma despedida de Bowie, que se identifica com Lázaro, e que canta sobre o seu passado, o seu presente e o seu futuro. A música começa com a frase “Look up here, I’m in heaven”, que revela que Bowie está no além, e que observa a sua vida na Terra. A música também contém frases como “I’ve got scars that can’t be seen” e “I’ve got nothing left to lose”, que mostram que Bowie está sofrendo com o câncer, mas que também está pronto para partir. A música termina com a frase “Just like that bluebird, oh, I’ll be free”, que indica que Bowie encontrou a sua liberdade e a sua paz. O videoclipe da música é uma continuação do videoclipe de Blackstar, e mostra Bowie em uma cama de hospital, com os olhos vendados, escrevendo em um caderno, enquanto é assombrado por uma figura sombria. Em seguida, ele se levanta e entra em um armário, que simboliza o seu caixão, e desaparece.
  • Sue (Or in a Season of Crime): a quarta faixa do álbum, com pouco mais de quatro minutos de duração, é uma música de jazz frenética e experimental, que foi originalmente lançada em 2014, em uma versão diferente, com a participação da Orquestra de Jazz de Maria Schneider. A música conta a história de um homem que mata a sua esposa, Sue, por ciúmes, e que depois se arrepende e se suicida. A letra da música é narrada em primeira pessoa, e mistura elementos de romance policial, de drama e de tragédia. A música também faz referência à peça Macbeth, de William Shakespeare, com frases como “Sue, the clinic called, the x-ray’s fine” e “I’m the great I am”, que ecoam as falas dos personagens Macbeth e Lady Macbeth, que também são consumidos pela culpa após cometerem um assassinato. A música reflete o lado sombrio e violento de Bowie, que explora os limites da moralidade e da sanidade.
  • Girl Loves Me: a quinta faixa do álbum, com pouco mais de quatro minutos de duração, é uma música de pop eletrônico e hip hop, que se destaca pelo seu uso de linguagens inventadas. A música é cantada em parte em nadsat, o dialeto usado pelos jovens delinquentes no livro e no filme Laranja Mecânica, e em parte em polari, um jargão usado pela comunidade gay britânica no século XX. A letra da música é confusa e obscena, e parece retratar uma cena de sexo, drogas e violência, com frases como “Where the fuck did Monday go?” e “Cheena so sound, so titi up this malchick, say”. A música também faz referência ao personagem Pinóquio, com a frase “I’m sitting in the chestnut tree, who the fuck’s gonna mess with me?”, que alude à canção “Who’s Afraid of the Big Bad Wolf?”, cantada pelo boneco de madeira no filme da Disney. A música mostra o lado rebelde e transgressor de Bowie, que brinca com as palavras e com as normas sociais.
  • Dollar Days: a sexta faixa do álbum, com pouco mais de quatro minutos e meio de duração, é uma música de rock acústico e melódico, que contrasta com a faixa anterior. A música é uma das mais pessoais e emotivas do álbum, e revela os sentimentos de Bowie sobre a sua terra natal, a Inglaterra, e sobre a sua carreira. A letra da música é repleta de nostalgia e de ironia, com frases como “I’m dying to push their backs against the grain and fool them all again and again” e “I’m trying to, I’m dying too”. A música também contém a frase “Don’t believe for just one second I’m forgetting you”, que pode ser interpretada como uma mensagem de Bowie para os seus fãs, ou para a sua esposa, Iman. A música expressa o amor e a saudade de Bowie, que se despede da sua pátria e do seu público.
  • I Can’t Give Everything Away: a sétima e última faixa do álbum, com pouco mais de cinco minutos de duração, é uma música de pop eletrônico e atmosférico, que encerra o álbum com uma nota de esperança e de mistério. A música é uma declaração de Bowie, que reconhece os seus limites e os seus segredos, e que afirma que não pode revelar tudo o que sabe e o que sente. A letra da música é simples e direta, com frases como “I know something is very wrong” e “This is all I ever meant, that’s the message that I sent”. A música também contém uma referência à música A New Career in a New Town, do álbum Low, de 1977, com o uso da harmônica, que cria uma sensação de continuidade e de ciclo na obra de Bowie. A música transmite a serenidade e a sabedoria de Bowie, que aceita o seu destino e o seu legado, e que deixa um enigma para os seus ouvintes.
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análise e Simbolismo do videoclipe de Blackstar

O videoclipe de Blackstar, dirigido pelo cineasta sueco Johan Renck, que também dirigiu o videoclipe de Lazarus, é uma obra de arte à parte, que complementa e amplia a música em conceito e experiência. A obra tem quase dez minutos de duração, e foi lançado em 19 de novembro de 2015, no site de streaming Vevo, sendo aclamado pela crítica especializada, pelo público e em premiações musicais e audiovisuais espalhadas pelo mundo.

O clipe musical da canção é uma peça de arte surrealista e simbólica, que contém muitas referências e mensagens ocultas. Sua narrativa se passa em um planeta deserto, onde acontecem cenas estranhas e perturbadoras, que envolvem personagens como um astronauta morto, uma mulher com cauda, um espantalho crucificado, um livro misterioso, um olho vendado e uma caveira brilhante. Cada um desses elementos tem um significado profundo, que será analisado a seguir.

O astronauta morto

A primeira cena do videoclipe mostra uma mulher com uma cauda, que se aproxima de um astronauta morto, cujo crânio emite uma luz azul. Ela abre a viseira do capacete e leva o crânio consigo, deixando o corpo para trás. Essa cena é uma clara alusão ao personagem de Bowie, Major Tom, que apareceu pela primeira vez na canção Space Oddity, de 1969, e depois em outras músicas como Ashes to Ashes e Hallo Spaceboy. Major Tom era um astronauta que se perdia no espaço e se comunicava com a Terra através de sua nave. Ele representava a aventura, a liberdade e a alienação de Bowie, que se sentia deslocado no mundo.

Ao mostrar o astronauta morto, Bowie sugere que ele está encerrando a sua jornada espacial e se despedindo de seu alter ego mais famoso. O crânio brilhante simboliza a sua essência criativa e o seu legado artístico, que é levado pela mulher para uma cidade misteriosa, onde é adorado como uma relíquia sagrada. A mulher com cauda pode simbolizar a esposa de Bowie, Iman, que o acompanhou até o fim de sua vida, e que preservou a sua memória e a sua obra.

A estrela negra

O título da música e do álbum, Blackstar, tem vários significados possíveis. Um deles é o de uma estrela negra, que é um tipo de estrela que emite pouca ou nenhuma luz, mas que ainda tem massa e gravidade. Uma estrela negra pode ser o resultado de uma estrela que colapsou em si mesma, mas que não se tornou um buraco negro. Esse conceito pode ser uma metáfora para a condição de Bowie, que sofria de câncer e sabia que estava morrendo, mas que ainda mantinha a sua força e o seu brilho interior. Bowie também pode estar se referindo à sua própria estrela, que era única e diferente das demais, e que não se encaixava em nenhum gênero ou categoria musical.

Outro significado de Blackstar é o de uma lesão causada por um projétil, que deixa uma marca escura na pele. Esse termo foi usado pelo co-produtor do álbum, Tony Visconti, para descrever o câncer que afetava Bowie. Visconti disse que Bowie queria fazer um álbum como um “parting gift” (presente de despedida) para os seus fãs, e que ele sabia que Blackstar seria o seu último trabalho.

No videoclipe, a estrela negra aparece como um símbolo que Bowie desenha com os dedos, e que também é visto em um livro, em um pano e em um círculo de velas. A estrela negra representa a sua identidade, a sua música e a sua mensagem, que ele transmite para o seu público e para as gerações futuras. A estrela negra também pode ter uma conotação oculta, relacionada à magia e ao ocultismo, temas que Bowie explorou em algumas de suas obras. A estrela negra pode ser uma variação da estrela de cinco pontas, ou pentagrama, que é um símbolo usado por várias tradições esotéricas, como o satanismo, o paganismo e a Thelema.

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O livro e o espantalho

Em uma das cenas mais perturbadoras do videoclipe, vemos um espantalho crucificado em um campo, que tem o rosto de Bowie e os olhos costurados. Ele é vigiado por três assustadores espantalhos menores, que se contorcem ao som da música. Em outra cena, vemos Bowie segurando um livro antigo, que tem a estrela negra na capa e páginas ilustradas com imagens estranhas.

Essas cenas podem ser interpretadas como uma referência à religião, à magia e ao ocultismo, temas que Bowie explorou em algumas de suas obras. Bowie era fascinado por figuras como Aleister Crowley, um ocultista britânico que fundou a filosofia de Thelema, que se baseava no lema “faze o que tu queres”. Bowie também se interessava por símbolos esotéricos, como o pentagrama, a cabala e o tarô.

Ao mostrar o espantalho crucificado, Bowie pode estar fazendo uma crítica à religião organizada, que ele considerava opressiva e manipuladora. Ele também pode estar se comparando a uma figura messiânica, que sofre e se sacrifica pela humanidade. O livro pode representar o seu conhecimento secreto e o seu poder criativo, que ele revela aos seus iniciados.

O livro também pode ser uma alusão ao Livro da Lei, o texto sagrado da Thelema, que foi supostamente ditado por uma entidade chamada Aiwass a Crowley, em 1904. O livro contém os princípios e as profecias da nova era de Horus, o deus egípcio do sol e da guerra, que sucedeu a era de Osíris, o deus da morte e da ressurreição. Bowie pode estar sugerindo artisticamente que ele é um profeta dessa nova era, e que a sua música é a sua lei.

O olho vendado

Em várias cenas do videoclipe, vemos Bowie e outros personagens com um pano preto cobrindo os olhos, deixando apenas um buraco para enxergar. Esse elemento visual tem um forte simbolismo, que pode ter múltiplas interpretações.

Uma delas é a de que o olho vendado representa a cegueira, tanto física quanto espiritual. Bowie pode estar se referindo à sua própria perda de visão, causada por um acidente que ele sofreu na adolescência, quando levou um soco no olho esquerdo durante uma briga. Esse incidente deixou a sua pupila permanentemente dilatada, dando a impressão de que ele tinha olhos de cores diferentes.

Bowie também pode estar aludindo à sua falta de visão sobre o seu futuro, já que ele estava enfrentando a morte iminente. Ele pode estar expressando a sua angústia e a sua incerteza sobre o que o aguardava após a sua partida. Ele também pode estar questionando a sua fé e a sua esperança, diante de um mundo caótico e cruel.

Outra interpretação é a de que o olho vendado representa a iluminação, tanto artística quanto mística. Bowie pode estar se inspirando em rituais iniciáticos, nos quais os candidatos tinham os olhos vendados para simbolizar a sua ignorância e a sua renúncia ao mundo material. Ao remover a venda, eles alcançavam um novo nível de consciência e de sabedoria.

Bowie também pode estar se baseando em conceitos como o terceiro olho, que é associado à intuição, à imaginação e à percepção extra-sensorial. Ele pode estar indicando que ele tinha uma visão diferente e superior da realidade, que ele compartilhava através da sua arte. Ele também pode estar sugerindo que ele tinha uma conexão com o divino, que ele manifestava através da sua música.

A caveira

Um dos objetos mais recorrentes e importantes do videoclipe é a caveira do astronauta, que é levada pela mulher com cauda para uma cidade, onde é colocada em um altar e venerada por um grupo de pessoas. A caveira é adornada com jóias e flores, e emite uma luz azul que hipnotiza os fiéis.

A caveira é um símbolo universal da morte, da transitoriedade e da fragilidade da vida. Bowie usa a caveira para representar o seu destino final, mas também o seu legado eterno. A caveira é o que resta do seu corpo físico, mas também o que guarda a sua essência espiritual.

A caveira também é um símbolo de poder, de sabedoria e de mistério. Bowie usa a caveira para mostrar o seu status de ícone, de guru e de profeta. A caveira é o que inspira admiração, devoção e curiosidade. A caveira é o que transmite a sua mensagem, a sua visão e o seu segredo.

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I’m a Blackstar, David Bowie

O videoclipe e o álbum Blackstar, de David Bowie, são obras de arte complexas e fascinantes, que expressam a sua genialidade e a sua singularidade. O videoclipe é repleto de símbolos e significados, que revelam as suas influências, as suas reflexões e as suas intenções. O álbum é uma forma de Bowie se comunicar com o seu público, e de deixar um testemunho da sua vida, da sua arte e da sua morte.

As interpretações apresentadas neste artigo são apenas algumas das possíveis, e não pretendem esgotar ou limitar a compreensão do videoclipe. Cada espectador pode ter a sua própria leitura, e descobrir novas camadas e nuances na obra. O videoclipe de Blackstar é um convite à imaginação, à criatividade e à reflexão, que demonstra o talento e a originalidade de Bowie, e que o consagra como um dos maiores artistas de todos os tempos.

Imagem de Guilherme Godoy
Guilherme Godoy
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