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Chromatica: experimentando em 7 covers do álbum da Lady Gaga

Quando o assunto é covers e versões de músicas, sou um fanático por todas as possibilidades de criação. Ainda mais quando são músicas da Lady Gaga e do seu novo álbum Chromatica. Nesse caso, o céu deixa de ser o limite.

Lady Gaga sempre caminhou além das fronteiras do comum em sua arte e isso faz com que os trabalhos que derivam de suas músicas possam surgir nesse mesmo espaço de expressividade. Quando faço algum cover, busco experimentar coisas novas e criar uma aura minha e da canção, fazer com que a experiência de quem está assistindo ou ouvindo o cover seja ainda mais profunda e divertida.

É por isso que convido você para assistir a alguns dos experimentos musicais/visuais independentes que fiz para canções do álbum Chromatica, da nossa querida Lady Gaga:

Alice

Abrindo com o meu cover favorito: Alice na versão épica. Compus grande parte dos arranjos, garimpei por instrumentos que soassem como uma orquestra e tentei trazer o País das Maravilhas para essa versão.

Você pode ver borboletas de luz e uma explosão de cores em um universo de escuridão. A música tem uma letra triste, mas busquei pela alegria e leveza do Chromatica para compor o todo.

Stupid Love

Meu cover de Stupid Love teve uma roupagem diferente – algo que senti que também poderia ficar agradável de se ouvir. A harmonia é muito semelhantes a de Born This Way, traz uma sensação de liberdade, então pensei em fazer minha versão com uma leve influência do Country, algo leve, solto, livre – em um vídeo claro e colorido para expressar o astral da canção.

Rain On Me

Na minha versão de Rain On Me, tentei preservar os arranjos originais da música e fiz pequenas adaptações na melodia, para inserir minhas impressões nela. O carinho maior ficou por conta dos efeitos no vídeo do cover: nuvens, chuva e relâmpagos para acompanharem a música.

A ideia era fazer algo em uma estética artificializada, como se eu estivesse em um experimento climático controlado, onde as partes tristes da música tivessem uma imagem mais acinzentada – um mundo sem cor – e as de superação fossem mais azuladas – remetendo à serenidade.

911

Se eu gostei do videoclipe de 911, da Lady Gaga? EU AMEI! E já esperava algo bombástico, por isso esse foi um dos covers em que mais experimentei arranjos, instrumentos e paletas e dediquei meu tempo. Meu coração está nos arranjos e instrumentos do nosso querido Rock, em um híbrido com Dark Pop.

Para o vídeo, tentei fazer cortes mais rápidos – alinhados com a velocidade da música – e alguns planos mais misteriosos de sci-fi, em um conceito de multidões de uma pessoa só e contraposições dessas multidões. Uma vez que “my biggest enemy is me”.

Enigma

“Nós poderíamos ser amantes, nem que por uma noite!” – essa é uma parte do refrão de Enigma que se encaixa perfeitamente no que fiz neste vídeo. Nele, trabalhei com alguns recursos que utilizo nos meus trabalhos autorais, em especial no projeto PSYCHE.

Preservei os arranjos e instrumentos originais dessa canção também, tem algo de Disco Music no fundo dela que eu amo e não gostaria de mudar. Mas como Enigma é uma música que brinca com o inconsciente para trazer uma mensagem de paixão e inspiração, brinquei com reflexos caleidoscópicos para transmitir as muitas faces internas que podemos ter dentro de nós.

Sine From Above

Sine From Above é a minha canção favorita do Chromatica. Talvez seja uma das minhas favoritas da carreira da Lady Gaga, junto de Angel Down (Joanne, 2016) e Shallow (A Star Is Born, 2018). A sensibilidade da música me inspirou a fazer uma versão sensível, algo com voz e piano ornamentados somente por vozes etéreas e sutis.

O vídeo foi gravado em dois planos e editado em cortes e movimentos suaves. A fotografia traz uma silhueta iluminada em um cenário celestial, minimalista, para casar com a letra da música. O resultado foi um dos trabalhos que mais gostei de ver pronto.

1000 Doves

Pensei no meu cover de 1000 Doves como algo clean, onde os arranjos vão do Cinematográfico ao Pop. Tentei expressar isso nas transições de película de cinema no início e final do vídeo. Imagino que essa poderia ser inclusive uma ideia tema para o videoclipe – o cinema vintage e o sofrimento de suas estrelas. Lady Gaga traz influências cinematográficas desde o início da carreira – muito visíveis em Applause (ARTPOP, 2013) e em 911 (Chromatica, 2020) – e faria mais um trabalho incrível dentro da temática.

Mas, covers?

Faço esse tipo de trabalho desde 2012 e sempre vi os covers como um espaço de liberdade para testar diferentes caminhos e emoções. À princípio, eu gravava somente no teclado ou piano, mas desde 2019 estou com o propósito de gerar experiências de imersão diferentes nos materiais – para além do som ou da música original – e fazer com que você sinta o que eu sinto ao ouvi-los.

Sei que você gosta desse tipo de trabalho tanto quanto eu. Aproveite essas músicas ao máximo, porque elas são feitas com muito carinho e respeito à mensagem do artista original.

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