Covers
Chromatica: experimentando em 7 covers do álbum da Lady Gaga
Sete covers de Chromatica, de Lady Gaga, com mudanças de arranjo, voz e vídeo. Ouça cada versão e conheça as escolhas e os limites de cada experimento.

Neste artigo
Reuni aqui sete covers que fiz de músicas de Chromatica, de Lady Gaga. Em cada faixa, mudei um elemento do arranjo, da voz ou do vídeo para testar outra maneira de contar a mesma canção. Os vídeos estão organizados abaixo com uma nota sobre a escolha central de cada versão.
Um cover me interessa quando revela uma possibilidade que eu não tinha ouvido na gravação original. Nem toda mudança funciona igualmente: às vezes a nova textura amplia uma emoção; em outras, perde parte da energia da faixa. Esse contraste guiou os experimentos desta série.
Comece pela música que você conhece melhor e compare os timbres, o ritmo e a imagem com a versão de Lady Gaga. As sete leituras seguem a ordem abaixo.
Alice
Abrindo com o meu cover favorito: Alice na versão épica. Compus grande parte dos arranjos, garimpei por instrumentos que soassem como uma orquestra e tentei trazer o País das Maravilhas para essa versão.
Você pode ver borboletas de luz e uma explosão de cores em um universo de escuridão. A música tem uma letra triste, mas busquei pela alegria e leveza do Chromatica para compor o todo.
Stupid Love
Em Stupid Love, troquei parte da pulsação eletrônica por violão, piano e cordas, com um toque de country pop. O vídeo claro e colorido mantém a leveza da faixa, enquanto o arranjo aproxima a voz do ouvinte. A mudança também reduz a força dançante da produção original; esse foi o principal compromisso da versão.
Falei um pouco mais sobre o processo de criação desse cover e do vídeo neste artigo.
Rain On Me
Na minha versão de Rain On Me, tentei preservar os arranjos originais da música e fiz pequenas adaptações na melodia, para inserir minhas impressões nela. O carinho maior ficou por conta dos efeitos no vídeo do cover: nuvens, chuva e relâmpagos para acompanharem a música.
A ideia era fazer algo em uma estética artificializada, como se eu estivesse em um experimento climático controlado, onde as partes tristes da música tivessem uma imagem mais acinzentada – um mundo sem cor – e as de superação fossem mais azuladas – remetendo à serenidade.
911
Em 911, fui na direção oposta: experimentei timbres de rock, uma atmosfera de dark pop e uma paleta visual mais tensa. É a versão em que mais trabalhei o contraste entre impulso e inquietação.
No vídeo, usei cortes rápidos e imagens de ficção científica para criar a sensação de várias versões de uma mesma pessoa. A repetição visual conversa com o conflito da canção; em alguns momentos, deixa menos espaço para observar cada detalhe do arranjo.
Enigma
“Nós poderíamos ser amantes, nem que por uma noite!” – essa é uma parte do refrão de Enigma que se encaixa perfeitamente no que fiz neste vídeo. Nele, trabalhei com alguns recursos que utilizo nos meus trabalhos autorais, em especial no projeto PSYCHE.
Em Enigma, mantive a pulsação dançante que me atrai na faixa e usei reflexos caleidoscópicos para sugerir identidades em movimento. Essa associação entre imagem e letra é uma interpretação minha, não uma explicação definitiva da música.
Sine From Above
Sine From Above é a minha canção favorita do Chromatica. Talvez seja uma das minhas favoritas da carreira da Lady Gaga, junto de Angel Down (Joanne, 2016) e Shallow (A Star Is Born, 2018). A sensibilidade da música me inspirou a fazer uma versão sensível, algo com voz e piano ornamentados somente por vozes etéreas e sutis.
O vídeo foi gravado em dois planos e editado em cortes e movimentos suaves. A fotografia traz uma silhueta iluminada em um cenário celestial, minimalista, para casar com a letra da música. O resultado foi um dos trabalhos que mais gostei de ver pronto.
1000 Doves
Em 1000 Doves, pensei em uma passagem gradual de uma textura mais cinematográfica para o pop. As transições que lembram película de cinema marcam essa mudança no vídeo. A imagem amplia o drama da versão, embora eu também goste de ouvir a canção sem esse enquadramento visual.
Mas, covers?
Gravo covers há anos porque eles me dão um espaço concreto para experimentar. Comecei com versões ao teclado ou piano; depois passei a combinar arranjo, voz, montagem e imagem. O objetivo aqui é mostrar essas decisões, inclusive seus limites, e abrir novas formas de escutar as canções.
Se alguma versão mudou a sua percepção de uma faixa, vale voltar à gravação original e ouvir o que cada uma destaca. É nessa comparação que o experimento ganha sentido.